Tempo Comum

25-06-2014 10:48

O que caracteriza este longo tempo litúrgico é a celebração do mistério de Cristo “na sua globalidade, especialmente nos Domingos” (Normas Gerais do Ano Litúrgico e do Calendário, n. 43). Esta globalidade significa que a manifestação do Senhor não se celebra exclusivamente no ciclo natalício, mas continua no Tempo comum; significa que a Páscoa não se celebra apenas no ciclo próprio, mas que ilumina toda a existência cristã ao longo do ano; significa que toda a vida de Cristo, com a salvação que traz e torna presente, acompanha a vivência cristã de todo o ano litúrgico.

 

É na celebração do Domingo, Dia do Senhor e “Páscoa semanal”, que o Tempo comum encontra o seu centro significativo. Ora, os Domingos do Tempo comum são aqueles que se podem considerar os Domingos no seu estado mais puro: Páscoa semanal e primeiro dia da semana, que dá sentido à vivência de toda a semana. Por isso, as orações da celebração eucarística, ao longo da semana, são as do Domingo.

 

Ao nível das leituras bíblicas, o Tempo comum tem também características próprias. O Evangelho, a mais importante das leituras bíblicas, é lido de forma semi-contínua. Deste modo, apresenta-nos a vida de Jesus e as suas palavras, não apenas nos grandes momentos, mas também na normalidade quotidiana dos seus gestos e dos seus ensinamentos. Os textos evangélicos aparecem-nos, assim, como a grande escola dos discípulos de Cristo, dos cristãos, que acompanham o Mestre e O escutam no dia a dia; que procuram configurar as suas vidas com a do próprio Cristo. O Tempo comum é tempo de amadurecimento da vivência da fé, até ao momento culminante da solenidade de Cristo Rei.

 

Solenidades e festas do Senhor no Tempo Comum

 

A Liturgia celebra o mistério de Cristo na sua totalidade, ao longo do ano litúrgico. Celebra os momentos da história da salvação, a partir do mistério de Cristo. Os acontecimentos da vida de Jesus não aparecem como momentos isolados: é sempre a totalidade da obra da redenção que é celebrada. Contudo, desde o período medieval que entraram na Liturgia as chamadas festas devocionais ou de “ideias”. O Missal actual, no final do Próprio do Tempo, apresentam uma série de solenidades do Senhor no Tempo per annum: Santíssima Trindade, Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, Sagrado Coração de Jesus, Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo. Nenhuma destas celebrações se centra em algum aspecto do mistério de Cristo que não esteja já presente em outras celebrações do ano litúrgico. A nível teológico, são “duplicados”, que sublinham sempre aspectos do único mistério de Cristo já presentes noutros momentos do ano. Todas estas solenidades nasceram no segundo milénio cristão.

 

in https://www.aliturgia.com/conteudos/conteudos_view.php?cod_noticia=337

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